Do livro Moinho

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Soneto a Vinicius de Moraes (Madrid, 11 de março de 2004)





Março – manhã fria, e a vida partiu,
se esvaiu; foram três os trens partidos,
abertos como um cogumelo vil
ou uma rosa, de março e não de abril.

Meditem nessa rosa rubra e ancha,
mais outra rosa de pó e de morte,
rosa expandida que marcou com mancha
de sangue cada vida em sua sorte.

Três trens partiram em manhã de frio,
formando um cálido e vermelho rio,
águas de março e de um tormento forte.

Seguiu-se um silêncio depois de tudo
– das dores, das mortes –, e um ódio justo
cobriu a terra já farta de luto.

(BALBINO, Evaldo. Filhos da pedra. São Paulo: Nelpa, 2012. p. 50)

2 comentários:

  1. Lindíssimo este poema, querido Eavaldo. Aquele atentado em Madrid, naquele trem....naquele março...naquele sangue...naquela dor...naquelas mortes.

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  2. Maria Generosa, tudo bem? Sim, triste aquilo tudo, que me fez fazer poesia. Escrevendo sobre essas coisas, exorcizamos os males da vida. Um beijo forte!!!

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